terça-feira, 22 de maio de 2012

É tanta coisa que vejo acontecendo que dói no fundo da alma!
Passei tanto tempo tentando proteger algumas pessoas para que elas não se decepcionassem, e agora elas me decepcionam!
Harsh reality! =/





Também não sei porque escrevo certas coisas se ninguém vai ler!
Ninguém nem lembra que eu existo ou que tenho sentimentos dentro de mim, como poderiam ler algo que escrevo?
É o ódio que corrói e faz morrer!
É o ódio de sempre ter que me esconder..
É a raiva de deixar as pessoas me dominarem, de querer atender às expectativas de todos a todo momento...

EU NÃO SOU PERFEITA!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Ela estava se embriagando no vinho da dor. Seus delírios não passavam de embriagues. Sozinha ela caminhava na noite escura e não via nenhuma luz para guiá-la.
Ouvia atordoada as vozes do passado, tentou correr para fugir de todas elas mas não conseguiu, as vozes a consumia por inteiro.
Uma vontade terrível de chorar tomou conta de todo o seu ser, uma dor terrível a sufocava na garganta.
Dentro de si ela chorava, gritava, clamava por ajuda.
A garganta doía, o coração doía, a alma doía.
Ela pensava consigo mesma: "Se ao menos alguém se aproximasse!" Mas se viu sozinha, se sentia sozinha.
Ah, se ela gritasse, talvez explodiria o mundo com sua voz, de tantos sentimentos ruins que trazia em si, sentimentos que transbordavam grosseiramente todo o seu ser. Até que alguém se aproximou! (Sim! Aquela única pessoa que ela queria perto, poderia ser qualquer uma, desde que realmente se importasse, até que em fim chegou!) E perguntou: "Tudo bem?" e depois de alguns segundos ela responde sorrindo docemente: "Sim!"
SIM? Mas como SIM? E todos os sentimentos que ela carrega? Como a resposta pode ser sim? Pergunto o porque disso e ela me diz: "Sou uma atriz mascarada no palco da vida e de tanto representar não consigo mais deixar de fazê-lo! A máscara que uso já faz parte de mim, está grudada e não sai mais! Por mais que eu tente não consigo retirá-la! Agora, por mais que as águas da tristeza transbordem em mim, não consigo deixar de representar. Já me perdi em meio a tantos papéis, não sei mais quem eu sou!" E com passos leves seguiu seu caminho, apesar de tudo que pesava dentro de si.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Carta de Florbela Espanca a Guido Battelli

“Sou uma céptica que crê em tudo, uma desiludida cheia de ilusões, uma revoltada que aceita, sorridente, todo o mal da vida, uma indiferente a transbordar de ternura. Grave e metódica até à mania, atenta a todas as subtilezas dum raciocínio claro e lúcido, não deixo, no entanto, de ser... uma espécie de D. Quixote fêmea a combater moinhos de vento, quimérica e fantástica, sempre enganada e sempre a pedir novas mentiras à vida, num dom de mim própria que não acaba, que não desfalece, que não cansa!”

(Carta de Florbela Espanca a Guido Battelli datada de 27 de Julho de 1930)

 

 - "Uma revoltada que aceita, sorridente, todo o mal da vida!" -

Delírios

Pseudo Boêmia em seus delírios,
Vê as estrelas de um sonho,
Vê uma noite sem luar.

Pseudo Boêmia viu,
As árvores a balançar.
E por um minuto se esqueceu,
De tudo que a fez chorar.

As árvores na noite fria,
Cantavam uma música em perfeita sintonia!
Música que há muito a Boêmia não ouvia,
Que trazia uma nova esperança:
Acordar a felicidade adormecida!

Por um minuto ela quis sorrir,
Viajando em seus delírios.
Sem Lua,
Mas com várias Estrelas.
Contemplando a dança harmoniosa das árvores,
E a doce melodia da natureza.

Mas esse momento passou,
Logo ela acordou.
Viu que tudo foi apenas delírio,
E para sua pseudo vida ela voltou.

Pseudo Boêmia

Pseudo...
Porque as pessoas são falsas, os risos são falsos, o saber é falso!
Pseudo...
Porque a literatura é falsa, o tempo é falso, a lágrima é falsa!
Pseudo...
Porque a beleza é falsa, o sonho é falso, a perda é falsa!
Pseudo, pseudo, pseudo...
Porque o mundo é falso e somente os delírios existentes nele são verdadeiros.
Pseudo porque máscaras cobrem tudo o tempo inteiro!
E o que é mesmo o tempo? Nada! Até ele é falso, até ele foi inventado!
Nada perdura, tudo passa!
E o pseudo? TAMBÉM!

segunda-feira, 12 de março de 2012

"Óh Pai:
Dá-me leveza nas mãos,
Faze de mim um nobre domador!
Laçando acordes e versos,
Dispersos no tempo!
...
Se eu tiver que ficar nu,
Hei de envolver-me em pura poesia!
E dela farei minha casa, minha asa,
Loucura de cada dia!
...
Deixa-me perder a hora,
Pra ter tempo de encontrar a rima.
Ver o mundo de dentro pra fora,
E a beleza que aflora de baixo pra cima.
Ó meu Pai, dá-me o direito
De dizer coisas sem sentido!
DE NÃO TER QUE SER PERFEITO,

Pretérito, sujeito, artigo definido!
...
Virar os dados do destino,
De me contradizer, de não ter meta..."
(Alma Nua - Vander Lee)


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"Que a fria luz da razão não cale o azul da aura que me veste!"

Chuva

Lá fora a chuva alaga as ruas,
Dentro de mim as lágrimas inundam o coração!
A diferença é que lá fora o sol sempre volta,
Seca o mundo e permite às pessoas concertarem os estragos que a chuva causou.
Mas e dentro de mim?
Cadê o meu sol?
Onde está o meu conforto, a minha luz?
O barulho que as lágrimas causam em mim é ensurdecedor,
Enquanto o barulho da chuva lá fora é suave como uma melodia!
Em um tolo devaneio me vejo caminhando na chuva,
E sinto ela lavando todas as lágrimas que estavam em mim.
E ouço sua suave melodia cantando aos meus ouvidos que tudo vai ficar bem!
Mas logo percebo que foi só mais um sonho, só mais uma viagem.
Todas as lágrimas e todos os sentimentos continuam gritando em mim!