Ela estava se embriagando no vinho da dor. Seus delírios não passavam de embriagues. Sozinha ela caminhava na noite escura e não via nenhuma luz para guiá-la.
Ouvia atordoada as vozes do passado, tentou correr para fugir de todas elas mas não conseguiu, as vozes a consumia por inteiro.
Uma vontade terrível de chorar tomou conta de todo o seu ser, uma dor terrível a sufocava na garganta.
Dentro de si ela chorava, gritava, clamava por ajuda.
A garganta doía, o coração doía, a alma doía.
Ela pensava consigo mesma: "Se ao menos alguém se aproximasse!" Mas se viu sozinha, se sentia sozinha.
Ah, se ela gritasse, talvez explodiria o mundo com sua voz, de tantos sentimentos ruins que trazia em si, sentimentos que transbordavam grosseiramente todo o seu ser. Até que alguém se aproximou! (Sim! Aquela única pessoa que ela queria perto, poderia ser qualquer uma, desde que realmente se importasse, até que em fim chegou!) E perguntou: "Tudo bem?" e depois de alguns segundos ela responde sorrindo docemente: "Sim!"
SIM? Mas como SIM? E todos os sentimentos que ela carrega? Como a resposta pode ser sim? Pergunto o porque disso e ela me diz: "Sou uma atriz mascarada no palco da vida e de tanto representar não consigo mais deixar de fazê-lo! A máscara que uso já faz parte de mim, está grudada e não sai mais! Por mais que eu tente não consigo retirá-la! Agora, por mais que as águas da tristeza transbordem em mim, não consigo deixar de representar. Já me perdi em meio a tantos papéis, não sei mais quem eu sou!" E com passos leves seguiu seu caminho, apesar de tudo que pesava dentro de si.